NOTA DE APOIO ÀS TERRAS INDÍGENAS KAINGANG DIANTE DO IMPACTO DOS ARRENDAMENTOS EM SEU TERRITÓRIO
A Ação Saberes Indígenas na Escola – Núcleo Santa Catarina (ASIE-SC) vem a público manifestar seu repúdio à extrema violência que está sendo perpetrada contra famílias Kaingang da Terra Indígena Serrinha (RS), motivada pelo arrendamento de terras para o plantio de soja.
Tomando como base notícias jornalísticas, notas de organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPIn-Sul), a Organização Indígena Instituto Kaingang (INKA), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a ASIE-Núcleo da UFRGS, a Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC, assim como o Conselho de Anciãos, a equipe da ASIE-SC se posiciona a favor da integralidade e potencialidade das terras indígenas, sublinhando o direito de todas as famílias viverem de forma digna e autossustentável, sem serem vítimas de ganância financeira e violência.
Aos órgãos e autoridades públicas competentes cabe substantivar a justiça e fazer cessar imediatamente a crueldade e brutalidade na TI Serrinha, terra da União para usufruto exclusivo dos indígenas.
Equipe ASIE-SC
20 de outubro de 2021
NÃO AO MARCO TEMPORAL
A equipe da Ação Saberes Indígenas na Escola – Núcleo Santa Catarina (projeto MEC/UFSC/SED-SC) informa o falecimento do Professor Dr. NANBLÁ GAKRAN, ocorrido no dia 26/06/2021. A equipe da ASIE-SC o faz consternada, com profundo pesar e inconformidade.
Deolinda Ginso de Assis nasceu no dia 02 de janeiro de 1929 na comunidade Sede da TI Xapecó, onde se criou e até hoje permanece. É filha de João Tertulibio e Maria Cristina Gabriel, ambos Kaingang da mesma Terra Indígena. É viúva e seus filhos são: Pedro Kresó, Osmelinda Rin Alípio, Sirlei Kanu Alves de Assis e Arnaldo Alves de Assis. Sirlei e Arnaldo atuam como professores da EIEB Cacique Vanhkrê. Deolinda aprendeu muitas coisas com seus avós e pais. Sempre participava das conversas dos mais velhos e com eles ia aprendendo as histórias que conta hoje. Dona Deolinda fala que antes existiam muitos rezadores como os Kujás, mas que hoje já está terminando. Ela é uma das rezadeiras que ainda existem na comunidade, e conta: “Existem vários tipos de rezas. Dependendo da ocasião é um tipo de reza e cada rezador sabe diferentes rezas, mas isso está se terminando. A gente pode ensinar como aprendi com meu pai. Mas ninguém mais quer aprender, os novos, as meninas só querem aprender outras coisas que não é do nosso Povo!” Dona Deolinda relata que participou de vários rituais do Kiki na comunidade, porém lamenta que hoje não exista mais. Sua marca tribal é Kanhrú, que signifi ca círculo. De acordo com a história do povo Kaingang, os Kanhrú foram o segundo povo a surgir sobre a terra e por isso são baixinhos. Ela gosta de batizar as crianças da comunidade e dar o nome indígena do mato, ou nome próprio. Entende muito sobre o batismo, sendo que as crianças Kaingang são batizadas na água corrente, nas Águas Santas para não pegar doenças


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